Consola de Revisão · Imunologia · Prof. Soares

Consola de Revisão · Imunologia

Medicina Dentária · UFP. Conteúdo em PT fiel ao deck, prioridades por annales, com progresso, pesquisa global e treino ativo.

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📌 Programa oficial do recurso (email da Prof. Soares)

ENTRA: toda a Imunologia básica · Infeção / Evasão / Imunização · Hipersensibilidades I e II · Transplantes · citoquinas da imunidade INATA · na adaptativa só os perfis Th1/Th2/Th17.

Esta app só contém o que sai no exame. A matéria excluída pela Prof. (maturação T/B, vias de processamento do MHC, hipersensibilidades III e IV) foi retirada — não a vais encontrar aqui.

Estrutura do exame

  • Grupo de V/F (erro anula acerto)
  • 1 desenho para fazer
  • 1 questão aberta, 3-4 linhas (dá 2, escolhes 1)
  • Ligar definições ↔ palavras (como no EC)
  • Dá a definição → escreves a palavra — ex: "São precisos 2 destes anticorpos para ativar o complemento pela via clássica"IgG

➡️ Dois grupos inteiros são vocabulário: treina em Definições → modo Palavra. E treina o Desenho.

Componente TP (anúncio Prof. Francisca Dias)

Matéria mais incidente: 1. Doenças Autoimunes · 2. Técnicas imunológicas de diagnóstico · 3. Imunodeficiências → separador TP.

🗓️ Dúvidas com a Prof.: TERÇA-FEIRA (véspera do exame), 9h-12h na faculdade. Leva as tuas dúvidas por escrito.

Estratégia (indicação da Prof.)

  • Domínio profundo nos fundamentos (inata → complemento → adaptativa → T/B/MHC/citoquinas).
  • Leitura nas patologias (hipersensibilidades, imunodeficiências, tumor/transplante).
  • ⚠️ V/F: 1 erro anula 1 acerto → só responder ao que sabes (o Modo Teste simula).
  • 📝 Respostas em FR são aceites, mas os termos escrevem-se em PT.

Prioridades (recorrência nas annales)

TIER S
Cai sempre. Complemento · Hipersensibilidades · Doença hemolítica do RN (Rh) · Ativação T (CD40-CD40L, anergia) · Ativação/maturação B (switch, Hiper-IgM) · MHC.
TIER A
Quase garantido. NK/missing self + tumoral · Imunização + vacina conjugada · Subtipos Th1/Th2/Th17 · Evasão · Tolerância/AIRE · DC/FDC.
TIER B
Segurar. B-1/B-2/marginais · superantigénio · ADCC · quimiotaxia · PRR · Tγδ · GVHD · MALT · Treg · TLO.
TP
Específico Soares. Técnicas (citometria, IF/HEp-2) · doenças autoimunes + oral · imunologia oral/periodontite.

Cursos completos

Fiel ao deck PT (verificado contra a síntese). Marca cada módulo como estudado.

01 Introdução + Imunidade Inata FUNDAMENTOS

1. Introdução

Reação imunológica: resposta a uma agressão exógena ou endógena para manter o equilíbrio homeostático; envolve órgãos, tecidos, componentes celulares e componentes solúveis (humorais). Para eliminar o agente agressor (microrganismo, transplante ou tumor) o sistema imunitário precisa de distinguir o self do non-self.

Inata vs Adaptativa

InataAdaptativa
EspecificidadeBaixa (PAMPs/DAMPs)Alta (ag específico)
RapidezImediataLenta na 1ª exposição
MemóriaNão clássica — tem memória inata treinadaSim (linfócitos memória)
RecetoresPRRs (germline)BCR / TCR (rearranjo V(D)J)
CélulasMO, PMN, NK, DC, mastócitos, ILCLinfócitos B e T

Memória inata treinada: memória não específica de longo prazo — as células inatas ficam mais eficazes após um estímulo inicial (reprogramação epigenética e metabólica). ≈ mémoire innée entraînée.

2. Macrófagos

Fagocitose (4 passos): A) adesão → B) ingestão → C) fusão fago-lisossómica → D) morte do microrganismo.

Evasão do patogénio: (1) evitar a fagocitose — toxinas, cápsula, evitar opsonização; (2) evitar a morte pós-fagocitose — escapar do fagossoma e replicar-se, inibir a fusão fago-lisossómica (ex. M. tuberculosis).

Morte por mecanismos dependentes/independentes de O₂ (respiratory burstROS). Recetor Fc reconhece anticorpos que opsonizam. Limpeza de células mortas → promove reparação tecidular e angiogénese (M1 inibição / M2 promoção).

Após reconhecimento, secreta citoquinas (IL-1, IL-6, TNF-α, IFN), proteínas do complemento e mediadores inflamatórios (NAP, PGE, ICAM). É também APC.

» Exame: opsoninas = IgG (FcγR), C3b, C4b, iC3b, MBL, PCR. A opsonina-exemplo é IgG, não IgM. [Annales]

3. Neutrófilos

  • Fagocitárias, produzidas e maturadas na medula óssea. Grânulos: lisozima, defensinas, MMP, catelicidinas.
  • Funções: fagocitose, desgranulação (dégranulation), NETose.
  • Ativados por quimiocinas, leucotrienos, C5a e C3a, e substâncias do patogénio. Quimiotaxia via aderência ao endotélio (CAMs).
  • Defensinas — disrupção da membrana (bactérias/fungos/vírus). Catelicidinas — toxicidade antimicrobiana direta + ativação leucocitária.
  • NETs — cadeias de DNA e histonas com lisozima, elastases e defensinas.

Mecanismos antimicrobianos dos fagócitos

ClasseProdutos
AcidificaçãopH 3.5–4 (bacteriostático/bactericida)
Tóxicos de O₂superóxido O₂⁻, H₂O₂, radical •OH
Óxidos de Nóxido nítrico (NO)
Péptidos antimicrobianosdefensinas, catelicidina, azurocidina, lactoferricina, BPI
Enzimaslisozima (parede Gram+), hidrolases ácidas
Competidoreslactoferrina, proteína ligante de B12

4. PRRs, PAMPs e DAMPs

PRRs reconhecem PAMPs; o dano tecidular gera DAMPs (moléculas endógenas de morte celular). Tipos: membranares (TLR) e secretados (pentraxinas, colectinas, ficolinas, proteínas do complemento).

TLR: porção extracelular com repetições de leucina + porção intracelular com domínio TIR. Cascata: reconhecimento → sinalização → NF-κB → citoquinas pró-inflamatórias, quimiocinas, IFN. Contribuem para a imunidade inata treinada.

5. Células dendríticas

Capturam ag, são APCs, migram após ativação, secretam citoquinas, mantêm tolerância periférica. As DC clássicas são as APC mais importantes para iniciar a adaptativa (ativam LT naive) e produzem IFN-I. As FDC (foliculares) exibem o antigénio aos linfócitos B.

» Exame: DC imaturas capturam o ag na periferia; quando maturas, migram para os órgãos linfoides secundários (não “para a periferia”). [Annales]

6. Mastócitos, basófilos e eosinófilos

Mastócitos/basófilos (mucosas): alergias (recetor de IgE), vasodilatação/permeabilidade, defesa contra helmintas. Mastócitos libertam histamina, heparina, prostaglandinas, leucotrienos e enzimas proteolíticas. Eosinófilos (mucosas): moléculas citotóxicas MBP e EPX, citoquinas e fatores de crescimento.

7. Células NK e ILC

NK (origem linfoide) — citotóxicas por desgranulação (perforinas + granzimas, cálcio-dependente) e indução de apoptose; ativadas por IFN. ILC (“non-B non-T”, sem BCR/TCR): tecidos de barreira, plasticidade, resposta rápida a alarminas (IL-33), reparação.

» Exame (piège): reconhecimento NK é MHC-DEPENDENTE (recetores KIR/KAR). KIR leem o MHC I do self; célula que perde MHC I (missing self) → é morta. “MHC-independente” é FALSO. [Annales]

ADCC — Antibody-dependent cell-mediated cytotoxicity

A NK reconhece uma célula-alvo revestida por IgG (através do seu recetor Fc) e destrói-a. É um processo de morte independente do MHC I — a NK não precisa de "ver" MHC para matar por esta via.

A NK elimina a célula-alvo por: (a) desgranulação — perforinas e granzimas, semelhantes às proteínas do complemento, formam poros na membrana do alvo (processo cálcio-dependente); (b) indução de apoptose pela ligação Fas-FasL.

» Exame: "processo que envolve a ligação entre uma célula citotóxica e um alvo, através de anticorpos" → ADCC (NK + IgG). [Annales]

8. Componentes solúveis

IFN-I (α, β): induz fagocitose e apoptose de células infetadas, enzimas que inibem a síntese proteica viral, e a resposta adaptativa; retém linfócitos nos gânglios, ↑ citotoxicidade NK/Tc, promove Th1, ↑ MHC I. PFAs — produzidas por hepatócitos em resposta a IL-6, IL-1, TNF-α; ativam complemento, opsonizam, limitam danos; PCR = marcador inflamatório.

9. Resposta inflamatória

Aguda (min/horas, dura 8–10 dias) → se persiste, crónica. Sinais: calor, rubor, dor, inchaço (edema) + vasodilatação, afluxo celular, ↑ permeabilidade. Migração: rolling (selectinas) → adesão (integrinas) → extravasão/diapedese. Citoquinas pró-inflamatórias: TNF, IL-1, IL-6 (locais/sistémicas; ex. sepsis).

10. Mecanismos que limitam a inata

IL-10, vias de sinalização negativas (SOCS) e autofagia (impede inflamassoma/ROS).

» Exame: a IL-10 é um mecanismo limitador/supressor da imunidade inata — VERDADEIRO. [Annales]
Fontes: deck PT (Theo/Immuno_to) · síntese FR · annales.
02 Sistema de Complemento TIER S

Definição: >30 proteínas solúveis, sintetizadas por hepatócitos e monócitos, no soro e fluidos tecidulares (exceto urina e CSF). Circulam inativas (zimogénios); a clivagem gera proteases que clivam a proteína seguinte. Nomenclatura: fragmentos por letras minúsculas; o “a” é o mais pequeno — exceção do C2a.

Funções gerais

  • Lise (MAC)
  • Opsonização → fagocitose
  • Remoção de imunocomplexos (Ag–Ac)
  • Amplificação da inflamação (C3a, C4a, C5a)

Resumo: C3a → inflamação · C3b → opsonização · C5a → inflamação + quimiotaxia · MAC → lise.

As 3 vias (convergem no MAC)

ViaIniciadorSequência
ClássicaC1q liga anticorpos (só IgM/IgG)C1qrs→C4→C2→C3→C5–C9
AlternativaC3b liga superfície / tickover espontâneoC3→C5→C6→C7→C8→C9
LectinasMBL reconhece manose/fucoseMBL+MASP-1/2 → C4, C2

Clássica: C1 = C1qrs (1 C1q + 2 C1r + 2 C1s); cada C1q liga ≥2 Fc. A IgM pentamérica adota a conformação “grampo” ao ligar (circulante é plana); a IgG tem 1 Fc → precisa de 2 IgG. Alternativa: C3b é regulado no self pelos Fatores H e I; micróbios não têm reguladores → amplifica. Lectinas: MBL (PRR) + MASP-1/2 clivam C4 e C2.

MAC (terminal): C5b-C6-C7-C8-C9 → canal transmembranar → lise.

» Exame: anafilatoxinas = C3a, C4a, C5a (desgranulação de mastócitos, vasodilatação, ↑ permeabilidade). C5a é quimiotática e induz desgranulação.

Deficiências no Complemento

Se os complexos antigénio-anticorpo (imunocomplexos) não forem removidos, podem depositar-se nos capilares, nomeadamente no glomérulo renal, causando dano tecidulardoença autoimune.

É por isso que um défice do complemento está na origem de doença por imunocomplexos.

Fontes: deck PT · síntese FR · annales.
03 Imunidade Adaptativa — Fundamentos FUNDAMENTOS

Expansão clonal e tipos

Os clones de linfócitos maturam nos órgãos linfoides I sem antigénio; entram nos tecidos linfoides; são ativados pelo ag específico; ocorre a resposta. Humoral (B): micróbios extracelulares → secreção de anticorpos → bloqueia infeções e elimina extracelulares. Celular (T): ativa macrófagos (Th, CD4) e mata células infetadas (Tc, CD8).

Órgãos linfoides I (maturação)

  • Timo — maturação T: precursores → timócitos; seleção positiva (reconhece fracamente MHC self → sobrevive) e seleção negativa (reconhece fortemente ag self → eliminado).
  • Medula óssea — maturação B: as células B imaturas saem e terminam a maturação nos órgãos linfoides II (baço).
» Exame: Síndrome de DiGeorge = ausência de células T circulantes → infeções víricas recorrentes (defeito tímico). [Annales/deck]

Órgãos linfoides II (ativação e diferenciação)

  • Gânglios: B no folículo germinativo, T nas HEV. A segregação garante contacto: B com FDC, T com DC clássicas.
  • Baço: filtra o sangue; proliferação e vigilância.
  • MALT: amígdalas, GALT, BALT, NALT — IgA secretória, tolerância oral.
  • TLO (terciários): agregados de células imunes em tecidos não linfoides por inflamação crónica ou tumor (ex. estroma peritumoral do cancro oral).

Circulação linfocitária e homing

Os naive vão dos I para os II; sem ag, recirculam (homing). Rolling: L-selectina ↔ PNAd. Adesão: integrina LFA-1. Quimiocinas CCL19/CCL21 ↔ CCR7 ativam a integrina. As efetoras vão para os tecidos; as memória para os órgãos II.

Fases da resposta · Antigénios

Fases: 1) reconhecimento · 2) ativação (expansão clonal) · 3) eliminação (efetora) · 4) contração (apoptose, homeostase) · 5) memória.

Antigénio = liga-se a anticorpo/TCR (nem todos ativam). A parte reconhecida = epitope. Imunogénico = estimula resposta. Só proteínas degradadas em péptidos são vistas pelo TCR. Haptenos = baixo peso molecular, não ativam T/B; tornam-se imunogénicos ligados a uma proteína carrier.

Fontes: deck PT · síntese FR · annales.
04 Linfócitos T TIER S

Reconhecimento: a Ig liga macromoléculas na forma nativa; o TCR liga complexos péptido-MHC (ag proteico transformado em péptidos).

Ativação

  1. Sinal 1 — reconhecimento: TCR ↔ péptido-MHC na APC.
  2. Sinal 2 — coestimulação: CD28 (T) ↔ B7-1/B7-2 (CD80/86) na APC ativada. Sem coestimulação → a célula morre/anergia.
  3. Sinal 3 — citoquinas: secreção de IL-2 (ativação autócrina).

Recetores inibidores da família CD28: CTLA-4 (liga B7 no lugar do CD28) e PD-1. CD40L-CD40: o T “licencia” a DC (↑B7, citoquinas) — feedback positivo que amplifica a ativação T.

» Exame: a ligação CD40-CD40L é decisiva para a ativação T e para gerar células efetoras/memória — VERDADEIRO. Falha no 2º sinal → anergia. [Annales]

Diferenciação Th

SubtipoCitoquinasContra
Th1IFN-γPatogénios intracelulares (ativa macrófagos; switch IgG)
Th2IL-4, IL-5, IL-13Helmintas e alergénios (eosinófilos/mastócitos)
Th17IL-17A/F, IL-22Bactérias extracelulares e fungos (recruta leucócitos)

Superantigénios (SE, TSST): ligam diretamente MHC II + TCR sem transformação antigénica → ativam muitas T → tempestade de citoquinas.

Linfócitos Tc (CD8) e reguladores

Tc/CTL (CD8-MHC I): sinapse → exocitose de grânulos → morte. Vias: perforina/granzima (poro → granzima → apoptose) e Fas/FasL. Produzem também IFN-γ. A ativação total de CD8 naive pode exigir ajuda de CD4 (citoquinas + licenciamento de DC). Exaustão (infeções crónicas): ↓IFN-γ, ↑PD-1.

Treg: FoxP3, CD25 (+CTLA-4); suprimem linfócitos autorreativos/efetores (competem por IL-2; TGF-β/IL-10/IL-35). NKT: reconhecem lípidos em moléculas CD1; produzem IL-4/IFN-γ.

Sinapse imunológica

Zona de contacto organizada entre o linfócito T e a APC/célula-alvo. Nota importante do curso: a ligação dos péptidos ao TCR é mais fraca do que a ligação dos péptidos aos anticorpos — daí a necessidade dos correcetores (CD4/CD8) e das integrinas (LFA-1) para estabilizar o contacto.

Como as Treg suprimem (mecanismos)

  • Competem pela IL-2 — usam o CD25 (IL-2R) para "roubar" a IL-2 às células efetoras;
  • Secreção de citoquinas inibitórias: TGF-β, IL-10 e IL-35;
  • Citólise das células T efetoras;
  • Supressão indireta por inibição das APCs;
  • Perturbação metabólica das células efetoras (AMP cíclico, adenosina/recetor A2A);
  • Libertação de vesículas (EVs) com miRNAs/proteínas que inibem as DC e as T efetoras.

Treg e cancro: a infiltração por Treg favorece a progressão tumoral (inibe a ativação das T contra o tumor → menor resposta imune). Paradoxalmente, muitas Treg FoxP3+ associam-se a melhor sobrevida no cancro colorretal, esofágico e da cabeça/pescoço, mas a pior prognóstico na mama, melanoma e estômago.

APCs (para que resposta)

  • DC → ativa T naive (início da adaptativa).
  • Macrófago → resposta T efetora → ativação macrofágica.
  • Célula B → resposta T efetora → produção de anticorpos.
Fontes: deck PT · síntese FR · annales.
05 Linfócitos B TIER S

Ativação (T-dependente)

Corecetor B = CD19/CD21/CD81. Passos: 1) ag liga o BCR (cross-link); 2) ↑MHC II e B7; 3) endocitose e degradação em péptidos; 4) apresenta péptido-MHC II à Th; 5) Th ativa e expressa CD40L ↔ CD40; 6) B expressa recetores de citoquinas; 7) citoquinas da Th atuam na B. O BCR sozinho é insuficiente — precisa de complemento, PRR e Th.

Subpopulações

TipoMarcadoresResposta
B-2 folicularesIgD/IgMAg proteico + Th → centro germinativo → T-dep, switch, IgG/IgA/IgE, plasma longa-vida
Marginais (baço)IgM/CD21Polissacáridos → T-indep, IgM, plasma curta-vida; patogénios sanguíneos
B-1 (peritoneu)IgM/CD5Polissacáridos → T-indep, IgM, diversidade limitada
» Exame: as B-2 não produzem “apenas IgM” — após ativação T-dep fazem switch (IgG/IgA/IgE). [Annales]

Linfócitos B reguladores (Breg)

Originam-se de células B-1 ou B-2 após ativação em ambientes inflamatórios. Produzem sobretudo IL-10, IL-35 e TGF-β para suprimir respostas imunitárias excessivas.

Respondem a vários sinais pró-inflamatórios: estimulação do BCR, TLRs, CD40L e CD80/CD86. Suprimem a imunidade celular via IL-10, IL-35, TGF-β, granzima B e moléculas imunomoduladoras (PD-L1, CD1d, Lag-3).

Diferenciação e supressão

Maturação de afinidade (↑ afinidade dos Ac). Switch isotípico (commutation de classe) — depende das citoquinas da Th e de CD40L-CD40, que induz a enzima AID. Síndrome Hiper-IgM: mutação em CD40L ou AID → sem switch → ↑IgM, IgG/IgA/IgE ausentes. Supressão: feedback por anticorpos via recetor inibidor FcγRIIB (CD32).

Anticorpos

Funções: neutralização, opsonização, ADCC, fagocitose com complemento, inflamação, lise. IgG (80% do soro, monomérica, 4 subclasses), IgA (secreções, dímero, transcitose), IgE (helmintas/alergia). Estrutura: 2 cadeias pesadas (H) + 2 leves (L); regiões variável/constante; 3 CDRs hipervariáveis contactam o ag. Fab (variável, liga ag) / Fc (constante, função efetora) / região charneira. Diversidade: V(D)J, flexibilidade juncional, nucleótidos N/P, maturação de afinidade + switch.

Fontes: deck PT · síntese FR · annales.
06 Citoquinas ENTRA (inata + perfis Th)
📌 Anúncio oficial: as citoquinas na imunidade INATA entram (TNF, IL-1, IL-6, IFN-I, IL-10 — saber bem). Na adaptativa, só os perfis Th1 / Th2 / Th17 — sem ser preciso vê-las individualmente.

Moléculas solúveis de baixo peso molecular, produzidas sobretudo por Th e macrófagos; meia-vida curta, ação local e limitada; ligam recetores específicos. Autócrina (IL-2), parácrina (IL-4, IL-5), endócrina (IL-6, TNF-α). Podem ser pleiotrópicas, sinérgicas, antagonistas, redundantes ou em cascata.

4 classes

  • I — fatores de crescimento / hematopoietinas
  • II — interferões
  • III — fatores de necrose tumoral
  • IV — quimiocinas

Fatores de crescimento (estroma/macrófagos): proliferação/maturação de precursores → reposição de leucócitos. Quimiocinas (CXC e CC): ↑ aderência ao endotélio, migração para a infeção, desenvolvimento dos órgãos linfoides, migração das DC.

Na imunidade inata

TNF, IL-1, IL-6 (pró-inflamatórias); IFN-I (antiviral); IL-10 (inibe MO/DC — feedback negativo). Os IFN-I retêm linfócitos nos gânglios, ↑ citotoxicidade NK/Tc, promovem Th1, ↑ MHC I, e induzem enzimas que bloqueiam a replicação viral.

Estimulação da adaptativa

2 sinais: ag + moléculas da resposta inata (coestimuladores, citoquinas, complemento) → proliferação/diferenciação. Polarização Th: indução → commitment → amplificação (citoquinas das APC/NK/mastócitos).

Citoquinas inibidoras das Treg

TGF-β: inibe proliferação/função de T e macrófagos, regula a polarização Th, promove switch para IgA, repara tecidos. IL-10: inibe IL-12 das DC/MO e a expressão de coestimulação/MHC II.

Fontes: deck PT · síntese FR · annales.
07 MHC TIER S

Os genes MHC I e II codificam proteínas que apresentam antigénios aos linfócitos T. O MHC humano (HLA) está no cromossoma 6, com expressão codominante. Classe I: HLA-A, -B, -C — em quase todas as células nucleadas → apresenta a CD8+. Classe II: HLA-DP, -DQ, -DR — só em DC, MO, células B → apresenta a CD4+. A expressão ↑ com IFN (I com α/β/γ; II depende de IFN-γ).

Estrutura

MHC IMHC II
Cadeias1 cadeia α (α1,α2,α3) + β2-microglobulinaHeterodímero α (α1,α2) + β (β1,β2)
PocketFechado — 8–11 aaAberto — 10–30 aa
PéptidosEndógenos (citosólicos/virais/tumorais)Exógenos (extracelulares)
» Exame: β2-microglobulina é indispensável ao MHC I → rato KO fica mais suscetível a vírus. O pocket do MHC II é aberto. E o péptido-MHC é apresentado à célula T (não à B). [Annales]

Reconhecimento MHC-independente

Algumas populações T reconhecem antigénios não proteicos sem envolvimento de MHC I ou II: as NKT e as T γδ.

  • NKT — têm marcadores das NK e dos linfócitos T; reconhecem lípidos e glicolípidos apresentados pela molécula MHC não clássica de tipo I: o CD1.
  • T γδ — ativam-se de forma MHC-independente perante vários sinais.

Relevância clínica do MHC/HLA

O MHC/HLA é determinante em: transplantes (compatibilidade e rejeição), autoimunidade (associação a HLA), cancro (perda de MHC I = escape) e infeções.

Fontes: deck PT · síntese FR · annales.
08 Infeção / Evasão ENTRA · anúncio oficial
📌 O anúncio oficial acrescenta a EVASÃO (não estava no email): mecanismos de escape ao SI — saber bem.
AgenteInataAdaptativaEvasão
Bact. extracelularComplemento, fagocitose, inflamaçãoAnticorpos (humoral)Choque séptico; Ac reação cruzada
Bact. intracelularFagócitos, NKTh1 + macrófagos → granulomasInibe fusão fago-lisossómica
VírusIFN-I, NKCTL, anticorposBloqueia TAP, variação antigénica, citoquinas imunossupressoras
ParasitasFagócitos, complementoProtozoários: Th1/CTL · Helmintas: Th2/IgE/eosinófilosMimetismo molecular, sítios imunoprivilegiados
FungosNeutrófilos, MOExtracel. Th17; intracel. Th1Oportunistas (SIDA, transplante)
» Exame: mecanismos de escape: mimetismo molecular, variação antigénica, fuga a sítios imunoprivilegiados, bloqueio do TAP. [Annales]
09 Imunização e Vacinação ENTRA

Ativa: administração de ag (modificado)/toxina → produção ativa de imunidade + memória. Passiva: soro com anticorpos preformados → ação rápida, sem memória, proteção temporária.

Tipos de vacinas: vivas atenuadas/inativadas, mortas (imunidade humoral), subunidades/toxoides, conjugadas (LPS/polissacárido + proteína carrier), ag sintéticos. Adjuvante = ↑ imunogenicidade.

Passiva útil em: imunodeficientes, doença já presente, pós-exposição (ex. antiveneno).

Adjuvantes (imunização ativa)

Adjuvante = carrier imunogénico ou substância que prolonga a biodisponibilidade do antigénio e ativa o sistema imunitário, aumentando a imunogenicidade e gerando memória.

Imunoestimulantes: sais de alumínio, emulsões óleo-água (O/A), MPL, CpG, virossomas.

Nota do curso: em 2008 foi introduzida a vacina contra o HPV (jovens mulheres).

» Exame: soro convalescente = imunização PASSIVA (não ativa). Vacina conjugada = proteína + LPS/polissacárido (VERDADEIRO). [Annales]
10 Hipersensibilidades só tipos I e II
⚠️ Este módulo não consta nos decks PT do curso (Theo/Immuno_to) — fonte única: síntese FR verificada por ti. Trata o conteúdo como fiável mas não confirmado página-a-página contra um slide do professor.
TipoMediadorTempoExemplo
I imediataIgE (mastócitos)2–30 minAlergia, anafilaxia
II citotóxicaIgM/IgG vs ag de superfície2–8 hRh, miastenia, febre reumática

Tipo I — as 2 fases (nomes exatos)

1) Fase de sensibilização (1ª exposição, assintomática): Th2/TFh + IL-4 → switch B para IgE → IgE liga-se ao FcεRI à superfície dos mastócitos.
2) Fase efetora (reexposição): cross-link do FcεRI → desgranulação → mediadores lipídicos/aminas vasoativas = reação imediata (minutos); citoquinas libertadas = fase tardia (2–4 h, recrutamento de eosinófilos).

» Exame: se perguntarem "as 2 fases da alergia", a resposta é fase de sensibilização + fase efetora — não confundir com "imediata vs tardia", que são as 2 subfases dentro da fase efetora.

Tipo II (citotóxica): IgM/IgG contra antigénios de superfície → (a) opsonização e fagocitose; (b) inflamação mediada por complemento e recetor Fc; (c) disfunção do recetor sem lesão celular. Anemia hemolítica do RN (Rh): IgG maternos anti-D atravessam a placenta → ativam o complemento → hemólise; previne-se com IgRh. Outros exemplos: febre reumática (mimetismo molecular) e miastenia gravis (Ac anti-recetor de acetilcolina).

» Exame: febre reumática e miastenia gravis = hipersensibilidade tipo II (miastenia: Ac anti-recetor de acetilcolina). Fase de sensibilização da alergia = citoquinas Th2. [Annales]
12 Imunidade Tumoral + Transplantes patologia
📌 Transplantes ENTRAM no exame (confirmado pela Prof.). Nota: esta matéria não consta nos decks PT — conteúdo da síntese FR.

Combate tumoral

NK (mata células sem MHC I — missing self), CTL CD8 (perforina/granzima), macrófagos, ADCC (NK + IgG), Th1 (IFN-γ). Cross-priming das DC ativa os CTL contra ag tumorais.

Escape tumoral

  • Perda/↓ de MHC I (escapa aos CTL)
  • Perda/variação de ag tumorais
  • Citoquinas imunossupressoras (TGF-β, IL-10)
  • Recrutamento de Treg; PD-L1
  • Ausência de coestimulação → anergia

Transplantes

Rejeição crónica: lesão progressiva (meses/anos) por aloanticorpos + T contra o endotélio (aloantigénios HLA) → vasculopatia/fibrose → isquemia. GVHD: os T do enxerto (dador) reconhecem o HLA do recetor como estranho e atacam-no (transplante de medula em imunodeprimido).

» Exame: ADCC = citotoxicidade mediada por células dependente de anticorpos (NK + IgG). Escape tumoral por perda de MHC I. [Annales]

Flashcards

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Modo Teste

⚠️ Regra do exame: nas V/F, acerto +1, erro −1, saltar 0. Só responde ao que sabes.

Definições

Rappel actif: o termo aparece e a definição fica escondida. Diz de cabeça, revela, e marca se sabias — só as que não sabes voltam.

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Desenhos 1 no exame

A Prof. confirmou: 1 desenho para fazer. Estes são os que já saíram — treina-os no papel e confere as legendas.

Como pontuar num desenho

  • Legenda tudo em PT — os pontos vêm das moléculas nomeadas, não da beleza do desenho.
  • Desenha a célula + o parceiro (APC/alvo) e as setas de interação.
  • Escreve os efetores (o que a célula liberta/produz).
✎ Linfócito Tc + ≥4 moléculas TIER S

Célula redonda Tc (CD8+) a contactar uma célula-alvo.

Moléculas a legendar: TCR (cadeias α/β), CD8, CD3, CD28, LFA-1, FasL.

Efetores: perforina + granzima (grânulos libertados na sinapse) e IFN-γ.

Do lado do alvo: MHC I + péptido, e Fas.

✎ Anticorpo na forma simples TIER S

Forma em Y: 2 cadeias pesadas (H) + 2 cadeias leves (L), unidas por pontes dissulfeto.

  • Fab (braços) — região variável, liga o antigénio, contém os CDR.
  • Fc (pé) — região constante, função efetora (liga recetores Fc e complemento).
  • Região charneira — flexibilidade.
✎ Ativação de uma célula B (efetoras + memória) TIER S

Ag → BCR (cross-link) → a B endocita e apresenta péptido-MHC II à Th.

Sinais: CD40-CD40L + B7-CD28 + citoquinas da Th.

→ proliferação → plasmócitos (anticorpos) + células B memória.

✎ Supressão da ativação Th TIER S

Th + APC, mas o sinal inibidor ganha:

  • CTLA-4 (na T) liga o B7 no lugar do CD28;
  • e/ou ausência do 2º sinalanergia;
  • PD-1 ↔ PD-L1;
  • uma Treg a libertar TGF-β / IL-10.
✎ Doença hemolítica do RN (Rh) TIER S · hipersens. II

Mãe Rh− sensibilizada → IgG anti-D → atravessam a placenta → ligam-se aos eritrócitos fetais Rh+ → ativam o complemento (complexo C1 → MAC)hemólise / lise celular.

Legenda: placenta · antigénios Rh+ · IgG materna · complexo C1 · lise.

✎ Combate tumoral / eliminação de célula cancerosa TIER A

NK (mata as que perdem MHC I — missing self) · CTL CD8 (perforina/granzima) · macrófagos · ADCC (NK + IgG) · Th1 (IFN-γ).

Cross-priming: a DC apresenta o péptido tumoral em MHC I ao TCR do CTL → o CTL mata a célula tumoral.

✎ Resposta integrada (inata + adaptativa) TIER B
  • A = lise da célula infetada por NK/CTL (perforina/granzima, IFN-I).
  • B = apresentação em MHC I ao CTL.
  • C = macrófago/DC (APC): TLR → NF-κB → TNF/IL-1/IL-12.
  • D = diferenciação Th0 → Th1/Th2.
  • E = plasmócito a produzir IgA/IgG/IgM.

Annales — corrigido

Exame Prof. Soares. As V/F interativas estão no Modo Teste.

TP Clínico componente do exame

📌 Matéria oficial da componente TP (anúncio Prof. Francisca Dias)

A matéria mais incidente na parte TP do Exame de Recurso será:

  • 1. Doenças Autoimunes
  • 2. Técnicas imunológicas utilizadas em diagnóstico
  • 3. Imunodeficiências

1. Doenças Autoimunes & cavidade oral SAI NO TP

SS Síndrome de Sjögren

2ª doença autoimune mais comum (depois da AR). Afeta as glândulas exócrinasxeroftalmia + xerostomia. Primário (isolado) ou secundário (com outra DA). Imunologia: ANA, anti-SS, anti-Ro; infiltrado TCD4+ e B nas glândulas salivares/lacrimais (↑ volume); citoquinas Th1 (IL-1, IL-6, TNF-α); saliva alterada (↓ mucinas, histatinas, lisozima, IgA — falência dos ácinos).

Oral: cáries, disfagia/BMS/alterações de gosto e fonação, gengivite/periodontite, candidíase/queilite angular, possível evolução maligna (linfoma).

AR Artrite Reumatóide

Autoimune crónica inflamatória das articulações: autoanticorpos circulantes, ↑ imunocomplexos, citoquinas/quimiocinas → sinovite e comorbilidades ósseas/vasculares.

Oral: destruição da ATM (erosão óssea, deformação dos côndilos, ↓ espaço articular → dor/estalido), hiposalivação/xerostomia (>50%), predisposição a doença periodontal (fator comum: tabaco).

LES Lúpus (SLE)

Autoimune crónica: articulações, rins, pele, vasos; fadiga, eritema, febre, fotossensibilidade. ANA em >95% dos doentes.

Oral: ~¼ com úlceras orais rodeadas de eritema, lesões labiais/mucosas, xerostomia, mais doença periodontal.

Pênfigo Pênfigo

Doença bolhosa autoimune (pele/mucosas): autoanticorpos IgG anti-desmogleínas 1 e 3 → perda de adesão entre queratinócitos (acantólise); as células T também têm papel. No pênfigo vulgar as bolhas começam nas mucosas (boca).

Oral: úlceras dolorosas com sangramento, bolhas, BMS, gengivite descamativa, sinal de Nikolsky positivo.

DII Doenças inflamatórias intestinais

Crohn (DC) e Colite ulcerativa (CU): resposta imune inapropriada às bactérias comensais (via IL-23, ↓ regulação, barreira defeituosa). Oral (Crohn, pode preceder): inchaço labial, queilite angular, mucosa em “cobblestone”, úlceras aftosas. CU: úlceras orais, Pyostomatitis vegetans.

LPO Líquen Plano Oral

Dermatose crónica mucocutânea. Reação dirigida a antigénio → ativação de T efetores: eixo Th1/Th17 (IFN-γ, IL-17); os CD8+ (Tc1/Tc17) lesam o epitélio por Fas-FasL, TNF-α e sobretudo exocitose de grânulos (perforina, granzima B, granulisina) → apoptose dos queratinócitos. DC, macrófagos e NK também participam. Infiltrado rico em TCD8+ (potencial maligno).

DMARDs (tratam AR/LES): efeitos orais — ulceração/mucosite, candidíase (thrush), xerostomia, gengivite/periodontite, reativação viral.

2. Técnicas imunológicas de diagnóstico SAI NO TP

Autoanticorpos ANA + Imunofluorescência (HEp-2)

Teste ANA simples e sensível — >95% no LES (útil para exclusão); também escleroderma, SS, doença mista, AR; DA de órgão (tiróide, GI, pulmão); infeções (Hep C, parvovírus, Tb). Atenção: ~15% de pessoas saudáveis têm ANA+.

Protocolo IF (células HEp-2): 1) lâminas HEp-2 em monocamada → 2) juntar soro diluído (± autoanticorpos) → 3) lavar (PBS) → 4) juntar Ac secundário marcado com FITC → 5) lavar → 6) montar em glicerol.

Padrões de fluorescência: homogéneo/difuso, granular, nucleolar, centromérico, periférico (+ anti-mitocondrial). Outros autoanticorpos: anti-fosfolípidos, anti-músculo liso, anti-mitocondrial, anti-liver-kidney.

Outras técnicas de diagnóstico

TécnicaPrincípioUso
ELISAAc (ou ag) fixado na placa + amostra + Ac secundário com enzima → substrato → cor (leitura por espetrofotómetro)Quantificar anticorpos ou antigénios (ex. serologia VIH, hepatites, citoquinas)
Western blotSeparação de proteínas por eletroforese → transferência → deteção com Ac específicoConfirmação (ex. VIH após ELISA positivo)
Imuno-histoquímica (IHC)Ac primário + Ac secundário com enzima → substrato DAB (castanho) no tecidoBiópsia: caracterizar o infiltrado (anti-CD8, anti-CD68)
Imunofluorescência (IF)Ac marcado com fluorocromo (FITC) → microscópio de fluorescência. Direta (no tecido) ou indireta (soro + substrato HEp-2)ANA, pênfigo (IgG intercelular), doenças bolhosas
AglutinaçãoAg particulado + Ac → agregados visíveisGrupos sanguíneos, teste de Coombs
Citometria de fluxoLaser + Ac com fluorocromo, célula a célulaContar populações (CD4/CD8, CD3/CD19)

Regra de ouro: perguntam sempre (a) que técnica usarias, (b) que amostra, (c) o que procuras, (d) como detetas o resultado.

Citometria de fluxo (FACS)

Análise multiparamétrica de partículas uma a uma em suspensão, através de um laser. Cada tipo celular é marcado com um Ac específico acoplado a um fluorocromo. Mede: FSC (tamanho), SSC (complexidade/granularidade) e FL1/FL2/FL3 (fluorescência). Avalia antigénios, recetores, DNA/ciclo celular, viabilidade, citoquinas.

Uso dentário: seguir CD4 no VIH/SIDA; deteção de leucemias/linfomas. Ler o plot CD4(Y)×CD8(X) por quadrantes.

Anti-HAV totalIgMInterpretação
++Infeção aguda/recente
+Antiga curada ou vacinado (imune)
Suscetível
» Exame: lesão liquenoide → biópsia + IHC/IF (anti-CD8/CD68) → Ac secundário-enzima → DAB (castanho); infiltrado misto = liquenoide, CD8 predominante = LPO. Alvo da maioria dos autoanticorpos = núcleo (ANA). [Annales]

3. Imunodeficiências SAI NO TP

Fisiológicas (NÃO são patológicas)

  • Hipoglobulinemia do recém-nascido — transitória, compensada pelas Igs maternas (IgG transplacentária + IgA do leite).
  • Imunosenescência — declínio imunitário com a idade.

Primárias (genéticas/congénitas) — 4 grupos major

GrupoConsequênciaExemplo
Défice de ComplementoInfeções bacterianas + doença autoimune (imunocomplexos não removidos)Défice de C1-C4; défice de C5-C9 → Neisseria
Défice B / anticorposInfeções bacterianas recorrentesAgamaglobulinemia de Bruton (CD19+ ausentes, CD3+ presentes); défice seletivo de IgA (o mais comum); Síndrome Hiper-IgM (CD40L/AID)
Défice T / combinadasInfeções víricas/fúngicas e tumoresSCID (T e B); DiGeorge (ausência de timo → CD3+ ausentes)
OutrasDéfices de NK, de expressão de MHC I (bare lymphocyte)

Secundárias (adquiridas)

  • VIH/SIDA — o vírus infeta os CD4+ (correcetores de quimiocina CCR5/CXCR4) → colapso da imunidade celular.
  • Má nutrição — défices vitamínicos → queilite angular, glossite, BMS, má cicatrização.
  • Cancro, quimioterapia, imunossupressores (transplante), idade.

Manifestações ORAIS (é isto que te vão perguntar)

TipoManifestações orais
PrimáriasCandidíase, aftas/ulcerações, periodontite precoce e agressiva, gengivite, infeções recorrentes
SIDACandidíase pseudomembranosa/orofaríngea · Leucoplasia pilosa da língua (EBV) · Sarcoma de Kaposi (HHV-8) · carcinoma da orofaringe (HPV) · linfoma não-Hodgkin · gengivite/periodontite necrosante
» Exame: CD3 = marcador T; CD19 = marcador B. Se CD3+ presentes e CD19+ ausentesBruton (défice B). Se CD3+ ausentes → DiGeorge/SCID. A hipoglobulinemia do RN é fisiológica, não patológica. [Annales]
» Exame: CD3 = marcador T; CD19 = marcador B. CD3+ presentes e CD19+ ausentes → Bruton (défice B). [Annales]

Imunologia da cavidade oral

  • MALT oral / anel de Waldeyer (amígdalas faríngeas/adenoides, palatinas, linguais); drenagem para gânglios regionais (300 dos ~800 gânglios do corpo estão na cabeça/pescoço).
  • Saliva = glândulas major (parótida, sublingual, submandibular) + minor + fluido crevicular + bactérias (10⁸/ml) + células (PMNs/epiteliais). Componentes: lisozima, lactoferrina, mucinas, histatinas, sIgA.
  • Fluido crevicular gengival (FGC): contém C3, IgG e proteínas plasmáticas de origem sistémica (a sIgA é local); a sua composição reflete o estado inflamatório gengival.
  • Microbioma oral ~700 espécies (Streptococcus a mais comum); biofilme nos tecidos duros; epitélio juncional permeável → patogénios orais ligados a aterosclerose, AR e cancro colorretal.
  • TLO oral — estroma peritumoral do cancro oral (prognóstico + favorável), granulomas periapicais, quistos radiculares, reações liquenoides (ex. amálgama).
  • Tolerância oral — falta de ativação de T aos comensais.

Infeções orais & periodontite

Candidíase (C. albicans; imunossupressão/HIV/tabaco): PAMPs (manose/glucano) → TLR2/4, CLR, NLR, RIG no epitélio → β-defensinas/catelicidinas; ILC → IL-17; PMN/macrófagos (mieloperoxidase, ROS, RNI); NK (perforina/granzima); complemento pelas 3 vias (mas C. albicans evade). Resposta forte Th17/Th1 (DC → IL-17/IFN); B mais fraca (IgA/IgG/IgM). As hifas aderem com ajuda de S. mutans. Formas: pseudomembranosa, mucocutânea, hiperplástica.

Herpes: IFN-γ, NK/NKT, CD8+, B; as Treg promovem a latência do HSV suprimindo os CD8+.

Doença periodontal: disbiose = trigger; Th1/Th17, MMP-8, ativação policlonal (IgG/A/M), complemento (C3a/C4a/C5a + C3b); recrutamento de PMN/monócitos/T → RANK → osteoclastos → perda óssea; VEGF/proangiogénese. Ligações sistémicas (translocação bacteriana + inflamação).

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Progresso

Módulos estudados, cartões dominados, favoritos e histórico ficam guardados neste dispositivo.

Fontes & fiabilidade

Teoria: deck PT (Theo) + síntese FR verificada. Clínico/TP: deck da Prof. Soares (Immuno_to). Annales: corrigido.

Módulos assinalados com ⚠️ (Hipersensibilidades, Transplantes/GVHD) não constam nos decks PT — fonte única síntese FR, não confirmados página-a-página.