Consola de Revisão · Imunologia · Prof. Soares

Consola de Revisão · Imunologia

Medicina Dentária · UFP. Conteúdo em PT fiel ao deck, prioridades por annales, com progresso, pesquisa global e treino ativo.

0%
0/12módulos estudados
0%
0/79cartões dominados
0
0definições favoritas
melhor score teste

Estratégia (indicação da Prof.)

  • Domínio profundo nos fundamentos (inata → complemento → adaptativa → T/B/MHC/citoquinas).
  • Leitura nas patologias (hipersensibilidades, imunodeficiências, tumor/transplante).
  • ⚠️ V/F: 1 erro anula 1 acerto → só responder ao que sabes (o Modo Teste simula).
  • 📝 Respostas em FR são aceites, mas os termos escrevem-se em PT.

Prioridades (recorrência nas annales)

TIER S
Cai sempre. Complemento · Hipersensibilidades · Doença hemolítica do RN (Rh) · Ativação T (CD40-CD40L, anergia) · Ativação/maturação B (switch, Hiper-IgM) · MHC.
TIER A
Quase garantido. NK/missing self + tumoral · Imunodeficiências · Imunização + vacina conjugada · Subtipos Th · Tolerância/AIRE · DC/FDC.
TIER B
Segurar. B-1/B-2/marginais · superantigénio · ADCC · quimiotaxia · PRR · Tγδ · GVHD · MALT · Treg · TLO.
TP
Específico Soares. Técnicas (citometria, IF/HEp-2) · doenças autoimunes + oral · imunologia oral/periodontite.

Cursos completos

Fiel ao deck PT (verificado contra a síntese). Marca cada módulo como estudado.

01 Introdução + Imunidade Inata FUNDAMENTOS

1. Introdução

Reação imunológica: resposta a uma agressão exógena ou endógena para manter o equilíbrio homeostático; envolve órgãos, tecidos, componentes celulares e componentes solúveis (humorais). Para eliminar o agente agressor (microrganismo, transplante ou tumor) o sistema imunitário precisa de distinguir o self do non-self.

Inata vs Adaptativa

InataAdaptativa
EspecificidadeBaixa (PAMPs/DAMPs)Alta (ag específico)
RapidezImediataLenta na 1ª exposição
MemóriaNão clássica — tem memória inata treinadaSim (linfócitos memória)
RecetoresPRRs (germline)BCR / TCR (rearranjo V(D)J)
CélulasMO, PMN, NK, DC, mastócitos, ILCLinfócitos B e T

Memória inata treinada: memória não específica de longo prazo — as células inatas ficam mais eficazes após um estímulo inicial (reprogramação epigenética e metabólica). ≈ mémoire innée entraînée.

2. Macrófagos

Fagocitose (4 passos): A) adesão → B) ingestão → C) fusão fago-lisossómica → D) morte do microrganismo.

Evasão do patogénio: (1) evitar a fagocitose — toxinas, cápsula, evitar opsonização; (2) evitar a morte pós-fagocitose — escapar do fagossoma e replicar-se, inibir a fusão fago-lisossómica (ex. M. tuberculosis).

Morte por mecanismos dependentes/independentes de O₂ (respiratory burstROS). Recetor Fc reconhece anticorpos que opsonizam. Limpeza de células mortas → promove reparação tecidular e angiogénese (M1 inibição / M2 promoção).

Após reconhecimento, secreta citoquinas (IL-1, IL-6, TNF-α, IFN), proteínas do complemento e mediadores inflamatórios (NAP, PGE, ICAM). É também APC.

» Exame: opsoninas = IgG (FcγR), C3b, C4b, iC3b, MBL, PCR. A opsonina-exemplo é IgG, não IgM. [Annales]

3. Neutrófilos

  • Fagocitárias, produzidas e maturadas na medula óssea. Grânulos: lisozima, defensinas, MMP, catelicidinas.
  • Funções: fagocitose, desgranulação (dégranulation), NETose.
  • Ativados por quimiocinas, leucotrienos, C5a e C3a, e substâncias do patogénio. Quimiotaxia via aderência ao endotélio (CAMs).
  • Defensinas — disrupção da membrana (bactérias/fungos/vírus). Catelicidinas — toxicidade antimicrobiana direta + ativação leucocitária.
  • NETs — cadeias de DNA e histonas com lisozima, elastases e defensinas.

Mecanismos antimicrobianos dos fagócitos

ClasseProdutos
AcidificaçãopH 3.5–4 (bacteriostático/bactericida)
Tóxicos de O₂superóxido O₂⁻, H₂O₂, radical •OH
Óxidos de Nóxido nítrico (NO)
Péptidos antimicrobianosdefensinas, catelicidina, azurocidina, lactoferricina, BPI
Enzimaslisozima (parede Gram+), hidrolases ácidas
Competidoreslactoferrina, proteína ligante de B12

4. PRRs, PAMPs e DAMPs

PRRs reconhecem PAMPs; o dano tecidular gera DAMPs (moléculas endógenas de morte celular). Tipos: membranares (TLR) e secretados (pentraxinas, colectinas, ficolinas, proteínas do complemento).

TLR: porção extracelular com repetições de leucina + porção intracelular com domínio TIR. Cascata: reconhecimento → sinalização → NF-κB → citoquinas pró-inflamatórias, quimiocinas, IFN. Contribuem para a imunidade inata treinada.

5. Células dendríticas

Capturam ag, são APCs, migram após ativação, secretam citoquinas, mantêm tolerância periférica. As DC clássicas são as APC mais importantes para iniciar a adaptativa (ativam LT naive) e produzem IFN-I. As FDC (foliculares) exibem o antigénio aos linfócitos B.

» Exame: DC imaturas capturam o ag na periferia; quando maturas, migram para os órgãos linfoides secundários (não “para a periferia”). [Annales]

6. Mastócitos, basófilos e eosinófilos

Mastócitos/basófilos (mucosas): alergias (recetor de IgE), vasodilatação/permeabilidade, defesa contra helmintas. Mastócitos libertam histamina, heparina, prostaglandinas, leucotrienos e enzimas proteolíticas. Eosinófilos (mucosas): moléculas citotóxicas MBP e EPX, citoquinas e fatores de crescimento.

7. Células NK e ILC

NK (origem linfoide) — citotóxicas por desgranulação (perforinas + granzimas, cálcio-dependente) e indução de apoptose; ativadas por IFN. ILC (“non-B non-T”, sem BCR/TCR): tecidos de barreira, plasticidade, resposta rápida a alarminas (IL-33), reparação.

» Exame (piège): reconhecimento NK é MHC-DEPENDENTE (recetores KIR/KAR). KIR leem o MHC I do self; célula que perde MHC I (missing self) → é morta. “MHC-independente” é FALSO. [Annales]

8. Componentes solúveis

IFN-I (α, β): induz fagocitose e apoptose de células infetadas, enzimas que inibem a síntese proteica viral, e a resposta adaptativa; retém linfócitos nos gânglios, ↑ citotoxicidade NK/Tc, promove Th1, ↑ MHC I. PFAs — produzidas por hepatócitos em resposta a IL-6, IL-1, TNF-α; ativam complemento, opsonizam, limitam danos; PCR = marcador inflamatório.

9. Resposta inflamatória

Aguda (min/horas, dura 8–10 dias) → se persiste, crónica. Sinais: calor, rubor, dor, inchaço (edema) + vasodilatação, afluxo celular, ↑ permeabilidade. Migração: rolling (selectinas) → adesão (integrinas) → extravasão/diapedese. Citoquinas pró-inflamatórias: TNF, IL-1, IL-6 (locais/sistémicas; ex. sepsis).

10. Mecanismos que limitam a inata

IL-10, vias de sinalização negativas (SOCS) e autofagia (impede inflamassoma/ROS).

» Exame: a IL-10 é um mecanismo limitador/supressor da imunidade inata — VERDADEIRO. [Annales]
Fontes: deck PT (Theo/Immuno_to) · síntese FR · annales.
02 Sistema de Complemento TIER S

Definição: >30 proteínas solúveis, sintetizadas por hepatócitos e monócitos, no soro e fluidos tecidulares (exceto urina e CSF). Circulam inativas (zimogénios); a clivagem gera proteases que clivam a proteína seguinte. Nomenclatura: fragmentos por letras minúsculas; o “a” é o mais pequeno — exceção do C2a.

Funções gerais

  • Lise (MAC)
  • Opsonização → fagocitose
  • Remoção de imunocomplexos (Ag–Ac)
  • Amplificação da inflamação (C3a, C4a, C5a)

Resumo: C3a → inflamação · C3b → opsonização · C5a → inflamação + quimiotaxia · MAC → lise.

As 3 vias (convergem no MAC)

ViaIniciadorSequência
ClássicaC1q liga anticorpos (só IgM/IgG)C1qrs→C4→C2→C3→C5–C9
AlternativaC3b liga superfície / tickover espontâneoC3→C5→C6→C7→C8→C9
LectinasMBL reconhece manose/fucoseMBL+MASP-1/2 → C4, C2

Clássica: C1 = C1qrs (1 C1q + 2 C1r + 2 C1s); cada C1q liga ≥2 Fc. A IgM pentamérica adota a conformação “grampo” ao ligar (circulante é plana); a IgG tem 1 Fc → precisa de 2 IgG. Alternativa: C3b é regulado no self pelos Fatores H e I; micróbios não têm reguladores → amplifica. Lectinas: MBL (PRR) + MASP-1/2 clivam C4 e C2.

MAC (terminal): C5b-C6-C7-C8-C9 → canal transmembranar → lise.

» Exame: anafilatoxinas = C3a, C4a, C5a (desgranulação de mastócitos, vasodilatação, ↑ permeabilidade). C5a é quimiotática e induz desgranulação. Défice de complemento → subjacente à hipersensibilidade tipo III. [Annales]
Fontes: deck PT · síntese FR · annales.
03 Imunidade Adaptativa — Fundamentos FUNDAMENTOS

Expansão clonal e tipos

Os clones de linfócitos maturam nos órgãos linfoides I sem antigénio; entram nos tecidos linfoides; são ativados pelo ag específico; ocorre a resposta. Humoral (B): micróbios extracelulares → secreção de anticorpos → bloqueia infeções e elimina extracelulares. Celular (T): ativa macrófagos (Th, CD4) e mata células infetadas (Tc, CD8).

Órgãos linfoides I (maturação)

  • Timo — maturação T: precursores → timócitos; seleção positiva (reconhece fracamente MHC self → sobrevive) e seleção negativa (reconhece fortemente ag self → eliminado).
  • Medula óssea — maturação B: as células B imaturas saem e terminam a maturação nos órgãos linfoides II (baço).
» Exame: Síndrome de DiGeorge = ausência de células T circulantes → infeções víricas recorrentes (defeito tímico). [Annales/deck]

Órgãos linfoides II (ativação e diferenciação)

  • Gânglios: B no folículo germinativo, T nas HEV. A segregação garante contacto: B com FDC, T com DC clássicas.
  • Baço: filtra o sangue; proliferação e vigilância.
  • MALT: amígdalas, GALT, BALT, NALT — IgA secretória, tolerância oral.
  • TLO (terciários): agregados de células imunes em tecidos não linfoides por inflamação crónica ou tumor (ex. estroma peritumoral do cancro oral).

Circulação linfocitária e homing

Os naive vão dos I para os II; sem ag, recirculam (homing). Rolling: L-selectina ↔ PNAd. Adesão: integrina LFA-1. Quimiocinas CCL19/CCL21 ↔ CCR7 ativam a integrina. As efetoras vão para os tecidos; as memória para os órgãos II.

Fases da resposta · Antigénios

Fases: 1) reconhecimento · 2) ativação (expansão clonal) · 3) eliminação (efetora) · 4) contração (apoptose, homeostase) · 5) memória.

Antigénio = liga-se a anticorpo/TCR (nem todos ativam). A parte reconhecida = epitope. Imunogénico = estimula resposta. Só proteínas degradadas em péptidos são vistas pelo TCR. Haptenos = baixo peso molecular, não ativam T/B; tornam-se imunogénicos ligados a uma proteína carrier.

Fontes: deck PT · síntese FR · annales.
04 Linfócitos T TIER S

Reconhecimento: a Ig liga macromoléculas na forma nativa; o TCR liga complexos péptido-MHC (ag proteico transformado em péptidos).

Maturação (checkpoints)

Stem cell → pré-T (pré-TCR, 1º checkpoint) → imaturo (TCR funcional, 2º) → maturo (seleção + e −, 3º). O TCR associa-se ao CD3 (transdução, ITAMs) e a correcetores CD4 ou CD8 (reforçam a ligação e sinalizam). Tγδ: pele/epitélios, não recirculam, respondem a ag não proteicos sem MHC/APC. AIRE (epitélio tímico medular) induz ag tecidulares no timo; mutações → APS-1.

Ativação

  1. Sinal 1 — reconhecimento: TCR ↔ péptido-MHC na APC.
  2. Sinal 2 — coestimulação: CD28 (T) ↔ B7-1/B7-2 (CD80/86) na APC ativada. Sem coestimulação → a célula morre/anergia.
  3. Sinal 3 — citoquinas: secreção de IL-2 (ativação autócrina).

Recetores inibidores da família CD28: CTLA-4 (liga B7 no lugar do CD28) e PD-1. CD40L-CD40: o T “licencia” a DC (↑B7, citoquinas) — feedback positivo que amplifica a ativação T.

» Exame: a ligação CD40-CD40L é decisiva para a ativação T e para gerar células efetoras/memória — VERDADEIRO. Falha no 2º sinal → anergia. [Annales]

Diferenciação Th

SubtipoCitoquinasContra
Th1IFN-γPatogénios intracelulares (ativa macrófagos; switch IgG)
Th2IL-4, IL-5, IL-13Helmintas e alergénios (eosinófilos/mastócitos)
Th17IL-17A/F, IL-22Bactérias extracelulares e fungos (recruta leucócitos)

Superantigénios (SE, TSST): ligam diretamente MHC II + TCR sem transformação antigénica → ativam muitas T → tempestade de citoquinas.

Linfócitos Tc (CD8) e reguladores

Tc/CTL (CD8-MHC I): sinapse → exocitose de grânulos → morte. Vias: perforina/granzima (poro → granzima → apoptose) e Fas/FasL. Produzem também IFN-γ. A ativação total de CD8 naive pode exigir ajuda de CD4 (citoquinas + licenciamento de DC). Exaustão (infeções crónicas): ↓IFN-γ, ↑PD-1.

Treg: FoxP3, CD25 (+CTLA-4); suprimem linfócitos autorreativos/efetores (competem por IL-2; TGF-β/IL-10/IL-35). NKT: reconhecem lípidos em moléculas CD1; produzem IL-4/IFN-γ.

APCs (para que resposta)

  • DC → ativa T naive (início da adaptativa).
  • Macrófago → resposta T efetora → ativação macrofágica.
  • Célula B → resposta T efetora → produção de anticorpos.
Fontes: deck PT · síntese FR · annales.
05 Linfócitos B TIER S

Maturação (checkpoints)

Stem cell → pró-B → pré-B (pré-BCR, expressa CD19)B imatura (IgM de superfície) → transição → B matura (adquire IgD; B-2 naive). Feita na medula, termina no baço. Cerca de 75% morrem por apoptose. Autorreativas: deleção clonal ou receptor editing (recombinação que muda a especificidade); se o editing falha → apoptose (seleção negativa).

» Exame: mutações RAG1/RAG2 (sem recombinação V(D)J) → falha do pré-BCR e pré-TCR → SCID (ausência de B e T). E o SCID afeta a maturação de T e B, não só B. [Annales]

Ativação (T-dependente)

Corecetor B = CD19/CD21/CD81. Passos: 1) ag liga o BCR (cross-link); 2) ↑MHC II e B7; 3) endocitose e degradação em péptidos; 4) apresenta péptido-MHC II à Th; 5) Th ativa e expressa CD40L ↔ CD40; 6) B expressa recetores de citoquinas; 7) citoquinas da Th atuam na B. O BCR sozinho é insuficiente — precisa de complemento, PRR e Th.

Subpopulações

TipoMarcadoresResposta
B-2 folicularesIgD/IgMAg proteico + Th → centro germinativo → T-dep, switch, IgG/IgA/IgE, plasma longa-vida
Marginais (baço)IgM/CD21Polissacáridos → T-indep, IgM, plasma curta-vida; patogénios sanguíneos
B-1 (peritoneu)IgM/CD5Polissacáridos → T-indep, IgM, diversidade limitada
» Exame: as B-2 não produzem “apenas IgM” — após ativação T-dep fazem switch (IgG/IgA/IgE). [Annales]

Diferenciação e supressão

Maturação de afinidade (↑ afinidade dos Ac). Switch isotípico (commutation de classe) — depende das citoquinas da Th e de CD40L-CD40, que induz a enzima AID. Síndrome Hiper-IgM: mutação em CD40L ou AID → sem switch → ↑IgM, IgG/IgA/IgE ausentes. Supressão: feedback por anticorpos via recetor inibidor FcγRIIB (CD32).

Anticorpos

Funções: neutralização, opsonização, ADCC, fagocitose com complemento, inflamação, lise. IgG (80% do soro, monomérica, 4 subclasses), IgA (secreções, dímero, transcitose), IgE (helmintas/alergia). Estrutura: 2 cadeias pesadas (H) + 2 leves (L); regiões variável/constante; 3 CDRs hipervariáveis contactam o ag. Fab (variável, liga ag) / Fc (constante, função efetora) / região charneira. Diversidade: V(D)J, flexibilidade juncional, nucleótidos N/P, maturação de afinidade + switch.

Fontes: deck PT · síntese FR · annales.
06 Citoquinas FUNDAMENTOS

Moléculas solúveis de baixo peso molecular, produzidas sobretudo por Th e macrófagos; meia-vida curta, ação local e limitada; ligam recetores específicos. Autócrina (IL-2), parácrina (IL-4, IL-5), endócrina (IL-6, TNF-α). Podem ser pleiotrópicas, sinérgicas, antagonistas, redundantes ou em cascata.

4 classes

  • I — fatores de crescimento / hematopoietinas
  • II — interferões
  • III — fatores de necrose tumoral
  • IV — quimiocinas

Fatores de crescimento (estroma/macrófagos): proliferação/maturação de precursores → reposição de leucócitos. Quimiocinas (CXC e CC): ↑ aderência ao endotélio, migração para a infeção, desenvolvimento dos órgãos linfoides, migração das DC.

Na imunidade inata

TNF, IL-1, IL-6 (pró-inflamatórias); IFN-I (antiviral); IL-10 (inibe MO/DC — feedback negativo). Os IFN-I retêm linfócitos nos gânglios, ↑ citotoxicidade NK/Tc, promovem Th1, ↑ MHC I, e induzem enzimas que bloqueiam a replicação viral.

Estimulação da adaptativa

2 sinais: ag + moléculas da resposta inata (coestimuladores, citoquinas, complemento) → proliferação/diferenciação. Polarização Th: indução → commitment → amplificação (citoquinas das APC/NK/mastócitos).

Citoquinas inibidoras das Treg

TGF-β: inibe proliferação/função de T e macrófagos, regula a polarização Th, promove switch para IgA, repara tecidos. IL-10: inibe IL-12 das DC/MO e a expressão de coestimulação/MHC II.

Fontes: deck PT · síntese FR · annales.
07 MHC TIER S

Os genes MHC I e II codificam proteínas que apresentam antigénios aos linfócitos T. O MHC humano (HLA) está no cromossoma 6, com expressão codominante. Classe I: HLA-A, -B, -C — em quase todas as células nucleadas → apresenta a CD8+. Classe II: HLA-DP, -DQ, -DR — só em DC, MO, células B → apresenta a CD4+. A expressão ↑ com IFN (I com α/β/γ; II depende de IFN-γ).

Estrutura

MHC IMHC II
Cadeias1 cadeia α (α1,α2,α3) + β2-microglobulinaHeterodímero α (α1,α2) + β (β1,β2)
PocketFechado — 8–11 aaAberto — 10–30 aa
PéptidosEndógenos (citosólicos/virais/tumorais)Exógenos (extracelulares)
» Exame: β2-microglobulina é indispensável ao MHC I → rato KO fica mais suscetível a vírus. O pocket do MHC II é aberto. E o péptido-MHC é apresentado à célula T (não à B). [Annales]

Processamento antigénico

Via endógena (citosólica): proteínas + ubiquitina → proteassoma → péptidos → TAP → RE → montagem com Classe I → superfície. Via exógena (endocítica): ag internalizado em endossomas/lisossomas; MHC II com Ii/CLIP, removido por HLA-DM → superfície. Cross-presentation (cross-priming): as DC apresentam ag exógenos em MHC I a CD8+ — essencial na imunidade antitumoral e antiviral.

Fontes: deck PT · síntese FR · annales.
08 Resposta a Microrganismos + Evasão PATOLOGIA · ler
AgenteInataAdaptativaEvasão
Bact. extracelularComplemento, fagocitose, inflamaçãoAnticorpos (humoral)Choque séptico; Ac reação cruzada
Bact. intracelularFagócitos, NKTh1 + macrófagos → granulomasInibe fusão fago-lisossómica
VírusIFN-I, NKCTL, anticorposBloqueia TAP, variação antigénica, citoquinas imunossupressoras
ParasitasFagócitos, complementoProtozoários: Th1/CTL · Helmintas: Th2/IgE/eosinófilosMimetismo molecular, sítios imunoprivilegiados
FungosNeutrófilos, MOExtracel. Th17; intracel. Th1Oportunistas (SIDA, transplante)
» Exame: mecanismos de escape: mimetismo molecular, variação antigénica, fuga a sítios imunoprivilegiados, bloqueio do TAP. [Annales]
09 Imunização e Vacinação PATOLOGIA · ler

Ativa: administração de ag (modificado)/toxina → produção ativa de imunidade + memória. Passiva: soro com anticorpos preformados → ação rápida, sem memória, proteção temporária.

Tipos de vacinas: vivas atenuadas/inativadas, mortas (imunidade humoral), subunidades/toxoides, conjugadas (LPS/polissacárido + proteína carrier), ag sintéticos. Adjuvante = ↑ imunogenicidade.

Passiva útil em: imunodeficientes, doença já presente, pós-exposição (ex. antiveneno).

» Exame: soro convalescente = imunização PASSIVA (não ativa). Vacina conjugada = proteína + LPS/polissacárido (VERDADEIRO). [Annales]
10 Hipersensibilidades TIER S · patologia
⚠️ Este módulo não consta nos decks PT do curso (Theo/Immuno_to) — fonte única: síntese FR verificada por ti. Trata o conteúdo como fiável mas não confirmado página-a-página contra um slide do professor.
TipoMediadorTempoExemplo
I imediataIgE (mastócitos)2–30 minAlergia, anafilaxia
II citotóxicaIgM/IgG vs ag de superfície2–8 hRh, miastenia, febre reumática
III imunocomplexosComplexos Ag-Ac8–12 hLúpus (rins, articulações)
IV DTHCélulas T (CD4)24–72 hTuberculina/PPD

Tipo I — as 2 fases (nomes exatos)

1) Fase de sensibilização (1ª exposição, assintomática): Th2/TFh + IL-4 → switch B para IgE → IgE liga-se ao FcεRI à superfície dos mastócitos.
2) Fase efetora (reexposição): cross-link do FcεRI → desgranulação → mediadores lipídicos/aminas vasoativas = reação imediata (minutos); citoquinas libertadas = fase tardia (2–4 h, recrutamento de eosinófilos).

» Exame: se perguntarem "as 2 fases da alergia", a resposta é fase de sensibilização + fase efetora — não confundir com "imediata vs tardia", que são as 2 subfases dentro da fase efetora.

Tipo II: opsonização/fagocitose, inflamação por complemento/Fc, ou disfunção do recetor. Anemia hemolítica do RN (Rh): IgG maternos anti-D atravessam a placenta → complemento → hemólise; trata-se com IgRh. Tipo III: deposição de imunocomplexos (rins, articulações). Tipo IV/DTH: Th1 → macrófagos; se não elimina o ag → granuloma.

» Exame: febre reumática e miastenia gravis = hipersensibilidade tipo II (miastenia: Ac anti-recetor de acetilcolina). Défice de complemento → tipo III. Fase de sensibilização da alergia = citoquinas Th2. [Annales]
11 Imunodeficiências (+ oral) patologia

Primárias = genéticas/congénitas. Secundárias = adquiridas.

  • SCID — maturação de T e B (ex. RAG; cadeia γ comum do IL-2R).
  • Agamaglobulinemia (Bruton) — defeito de maturação B (CD19+ ausentes, CD3+ presentes).
  • Síndrome Hiper-IgM — CD40L/AID → ↑IgM, resto ausente.
  • Défice seletivo de IgA; DiGeorge — ausência de T (CD3+ ausentes).
  • SecundáriasVIH/SIDA, cancro, imunossupressores, malnutrição.
» Exame: hipoglobulinemia do RN é fisiológica/transitória (não patológica). HIV usa correcetor de quimiocina (CCR5/CXCR4), não IL-2R. CD3 = marcador T; CD19 = marcador B. [Annales]

4 grupos major de imunodeficiências primárias

  • Complemento → infeções bacterianas + autoimunidade
  • B/anticorpos → bacterianas (Bruton)
  • T/combinadas → víricas + tumores (SCID)
  • Outras → NK, expressão de MHC I

Fisiológica: hipoglobulinemia do RN + imunosenescência (não patológicas).

Manifestações orais: candidíase, aftas, periodontite; na SIDA — candidíase orofaríngea, leucoplasia pilosa, sarcoma de Kaposi.

12 Imunidade Tumoral + Transplantes patologia
⚠️ A parte de Transplantes/GVHD não consta nos decks PT do curso — fonte única: síntese FR. A parte tumoral tem apoio parcial no deck clínico.

Combate tumoral

NK (mata células sem MHC I — missing self), CTL CD8 (perforina/granzima), macrófagos, ADCC (NK + IgG), Th1 (IFN-γ). Cross-priming das DC ativa os CTL contra ag tumorais.

Escape tumoral

  • Perda/↓ de MHC I (escapa aos CTL)
  • Perda/variação de ag tumorais
  • Citoquinas imunossupressoras (TGF-β, IL-10)
  • Recrutamento de Treg; PD-L1
  • Ausência de coestimulação → anergia

Transplantes

Rejeição crónica: lesão progressiva (meses/anos) por aloanticorpos + T contra o endotélio (aloantigénios HLA) → vasculopatia/fibrose → isquemia. GVHD: os T do enxerto (dador) reconhecem o HLA do recetor como estranho e atacam-no (transplante de medula em imunodeprimido).

» Exame: ADCC = citotoxicidade mediada por células dependente de anticorpos (NK + IgG). Escape tumoral por perda de MHC I. [Annales]

Flashcards

Toca no cartão para virar. Marca Sabia / Rever — o progresso é guardado.

toca para a resposta
toca para voltar
0 / 0

Modo Teste

⚠️ Regra do exame: nas V/F, acerto +1, erro −1, saltar 0. Só responde ao que sabes.

Definições

Definições longas — nível de resposta aberta. Marca ★ nas que queres rever.

Annales — corrigido

Exame Prof. Soares. As V/F interativas estão no Modo Teste.

TP Dentário / Clínico deck da Prof. Soares

Componente aplicada — pontos quase garantidos. Fonte: deck clínico (Immuno_to) + annales.

Doenças autoimunes & cavidade oral

SS Síndrome de Sjögren

2ª doença autoimune mais comum (depois da AR). Afeta as glândulas exócrinasxeroftalmia + xerostomia. Primário (isolado) ou secundário (com outra DA). Imunologia: ANA, anti-SS, anti-Ro; infiltrado TCD4+ e B nas glândulas salivares/lacrimais (↑ volume); citoquinas Th1 (IL-1, IL-6, TNF-α); saliva alterada (↓ mucinas, histatinas, lisozima, IgA — falência dos ácinos).

Oral: cáries, disfagia/BMS/alterações de gosto e fonação, gengivite/periodontite, candidíase/queilite angular, possível evolução maligna (linfoma).

AR Artrite Reumatóide

Autoimune crónica inflamatória das articulações: autoanticorpos circulantes, ↑ imunocomplexos, citoquinas/quimiocinas → sinovite e comorbilidades ósseas/vasculares.

Oral: destruição da ATM (erosão óssea, deformação dos côndilos, ↓ espaço articular → dor/estalido), hiposalivação/xerostomia (>50%), predisposição a doença periodontal (fator comum: tabaco).

LES Lúpus (SLE)

Autoimune crónica: articulações, rins, pele, vasos; fadiga, eritema, febre, fotossensibilidade. ANA em >95% dos doentes.

Oral: ~¼ com úlceras orais rodeadas de eritema, lesões labiais/mucosas, xerostomia, mais doença periodontal.

Pênfigo Pênfigo

Doença bolhosa autoimune (pele/mucosas): autoanticorpos IgG anti-desmogleínas 1 e 3 → perda de adesão entre queratinócitos (acantólise); as células T também têm papel. No pênfigo vulgar as bolhas começam nas mucosas (boca).

Oral: úlceras dolorosas com sangramento, bolhas, BMS, gengivite descamativa, sinal de Nikolsky positivo.

DII Doenças inflamatórias intestinais

Crohn (DC) e Colite ulcerativa (CU): resposta imune inapropriada às bactérias comensais (via IL-23, ↓ regulação, barreira defeituosa). Oral (Crohn, pode preceder): inchaço labial, queilite angular, mucosa em “cobblestone”, úlceras aftosas. CU: úlceras orais, Pyostomatitis vegetans.

LPO Líquen Plano Oral

Dermatose crónica mucocutânea. Reação dirigida a antigénio → ativação de T efetores: eixo Th1/Th17 (IFN-γ, IL-17); os CD8+ (Tc1/Tc17) lesam o epitélio por Fas-FasL, TNF-α e sobretudo exocitose de grânulos (perforina, granzima B, granulisina) → apoptose dos queratinócitos. DC, macrófagos e NK também participam. Infiltrado rico em TCD8+ (potencial maligno).

DMARDs (tratam AR/LES): efeitos orais — ulceração/mucosite, candidíase (thrush), xerostomia, gengivite/periodontite, reativação viral.

Diagnóstico laboratorial

Autoanticorpos ANA + Imunofluorescência (HEp-2)

Teste ANA simples e sensível — >95% no LES (útil para exclusão); também escleroderma, SS, doença mista, AR; DA de órgão (tiróide, GI, pulmão); infeções (Hep C, parvovírus, Tb). Atenção: ~15% de pessoas saudáveis têm ANA+.

Protocolo IF (células HEp-2): 1) lâminas HEp-2 em monocamada → 2) juntar soro diluído (± autoanticorpos) → 3) lavar (PBS) → 4) juntar Ac secundário marcado com FITC → 5) lavar → 6) montar em glicerol.

Padrões de fluorescência: homogéneo/difuso, granular, nucleolar, centromérico, periférico (+ anti-mitocondrial). Outros autoanticorpos: anti-fosfolípidos, anti-músculo liso, anti-mitocondrial, anti-liver-kidney.

Citometria de fluxo (FACS)

Análise multiparamétrica de partículas uma a uma em suspensão, através de um laser. Cada tipo celular é marcado com um Ac específico acoplado a um fluorocromo. Mede: FSC (tamanho), SSC (complexidade/granularidade) e FL1/FL2/FL3 (fluorescência). Avalia antigénios, recetores, DNA/ciclo celular, viabilidade, citoquinas.

Uso dentário: seguir CD4 no VIH/SIDA; deteção de leucemias/linfomas. Ler o plot CD4(Y)×CD8(X) por quadrantes.

Anti-HAV totalIgMInterpretação
++Infeção aguda/recente
+Antiga curada ou vacinado (imune)
Suscetível
» Exame: lesão liquenoide → biópsia + IHC/IF (anti-CD8/CD68) → Ac secundário-enzima → DAB (castanho); infiltrado misto = liquenoide, CD8 predominante = LPO. Alvo da maioria dos autoanticorpos = núcleo (ANA). [Annales]

Imunodeficiências (foco clínico)

Fisiológicas: imunosenescência e hipoglobulinemia do RN (compensada pelas Igs maternas — não patológica).

Patológicas primárias — 4 grupos major:

  • Défice de Complemento → infeções bacterianas + doença autoimune
  • Défice B / de anticorpos → infeções bacterianas (ex. Bruton)
  • Défice T / combinadas → infeções víricas e tumores (ex. SCID)
  • Outras — NK, expressão de MHC classe I…

Secundárias: má nutrição (défices vitamínicos → queilite angular, glossite, BMS, má cicatrização) e VIH/SIDA — oral: candidíase pseudomembranosa/orofaríngea, Kaposi, carcinoma da orofaringe (HPV), leucoplasia pilosa da língua, gengivite/periodontite, linfoma não-Hodgkin.

» Exame: CD3 = marcador T; CD19 = marcador B. CD3+ presentes e CD19+ ausentes → Bruton (défice B). [Annales]

Imunologia da cavidade oral

  • MALT oral / anel de Waldeyer (amígdalas faríngeas/adenoides, palatinas, linguais); drenagem para gânglios regionais (300 dos ~800 gânglios do corpo estão na cabeça/pescoço).
  • Saliva = glândulas major (parótida, sublingual, submandibular) + minor + fluido crevicular + bactérias (10⁸/ml) + células (PMNs/epiteliais). Componentes: lisozima, lactoferrina, mucinas, histatinas, sIgA.
  • Fluido crevicular gengival (FGC): contém C3, IgG e proteínas plasmáticas de origem sistémica (a sIgA é local); a sua composição reflete o estado inflamatório gengival.
  • Microbioma oral ~700 espécies (Streptococcus a mais comum); biofilme nos tecidos duros; epitélio juncional permeável → patogénios orais ligados a aterosclerose, AR e cancro colorretal.
  • TLO oral — estroma peritumoral do cancro oral (prognóstico + favorável), granulomas periapicais, quistos radiculares, reações liquenoides (ex. amálgama).
  • Tolerância oral — falta de ativação de T aos comensais.

Infeções orais & periodontite

Candidíase (C. albicans; imunossupressão/HIV/tabaco): PAMPs (manose/glucano) → TLR2/4, CLR, NLR, RIG no epitélio → β-defensinas/catelicidinas; ILC → IL-17; PMN/macrófagos (mieloperoxidase, ROS, RNI); NK (perforina/granzima); complemento pelas 3 vias (mas C. albicans evade). Resposta forte Th17/Th1 (DC → IL-17/IFN); B mais fraca (IgA/IgG/IgM). As hifas aderem com ajuda de S. mutans. Formas: pseudomembranosa, mucocutânea, hiperplástica.

Herpes: IFN-γ, NK/NKT, CD8+, B; as Treg promovem a latência do HSV suprimindo os CD8+.

Doença periodontal: disbiose = trigger; Th1/Th17, MMP-8, ativação policlonal (IgG/A/M), complemento (C3a/C4a/C5a + C3b); recrutamento de PMN/monócitos/T → RANK → osteoclastos → perda óssea; VEGF/proangiogénese. Ligações sistémicas (translocação bacteriana + inflamação).

Ajustes

Tema

Tamanho do texto

Progresso

Módulos estudados, cartões dominados, favoritos e histórico ficam guardados neste dispositivo.

Fontes & fiabilidade

Teoria: deck PT (Theo) + síntese FR verificada. Clínico/TP: deck da Prof. Soares (Immuno_to). Annales: corrigido.

Módulos assinalados com ⚠️ (Hipersensibilidades, Transplantes/GVHD) não constam nos decks PT — fonte única síntese FR, não confirmados página-a-página.